Conheça os 8 efeitos psicológicos do abuso

Você tem dúvidas sobre o que sente, pensa e acontece em seu relacionamento? Toda essa confusão existe porque alguns sentimentos vêm juntamente com uma relação abusiva, assim, colados um no outro. E para entender melhor essa mistura complexa de sensações, a partir de agora você vai conhecer os 8 efeitos psicológicos do abuso pode ter em sua vida.

Também conhecidos como fenômenos psicológicos ou produto do abuso, esse tema é raramente discutido, mas explica muito o motivo pelo qual as vítimas não conseguem sair de um relacionamento violento ou sutil.

Eles podem ser percebidos durante e depois que a relação termina, por isso, a Não Era Amor trabalha com mulheres que estão e também com as que já saíram dessa situação.

O que são os efeitos psicológicos do abuso?

Como o próprio nome já diz, os produtos psicológicos do abuso são sentimentos e pensamentos que temos quando passamos por um relacionamento abusivo, eles são indissociáveis da violência e vêm colados a ela.

No decorrer desse texto você pode se identificar com um, vários ou até mesmo todos os itens, mas se você já entrou em um relacionamento abusivo achando erroneamente que fosse amor, então, com certeza algum desses efeitos vai fazer sentido para você.

Perda de Consciência

Quando há abuso geralmente as pessoas ao seu redor percebem o que está acontecendo antes de você. Essa perda de consciência vem de mãos dadas à confusão mental e à dúvida sobre o que é ou não real. Isso pode acontecer por dois motivos: ou porque você não percebe realmente o abuso ou porque a violência já escalonou e se tornou tão corriqueira no seu dia a dia que já está banalizada.

Culpa

Um dos efeitos mais sentidos e conhecidos é a culpa. Ela é inerente à um relacionamento abusivo e faz com que você justifique o comportamento do outro com base no seu: “eu também não sou fácil de lidar”, “ele fez isso porque eu provoquei”, “eu também errei”.

Tais frases são reflexos desse fenômeno psicológico, assim como a ideia de que se você mudar o seu comportamento ou agir de outra forma o abuso não voltará a acontecer. Mas a violência independe da sua reação e a culpa virá se você for forte e reagir e também se você estiver frágil, passiva ou submissa.

Para entender melhor essa ligação basta pensar que se você não sentisse culpa diante de um abuso, dificilmente ele iria se repetir, pois é ela que te mantém presa a ele. Então, se quando alguém age com você o seu primeiro sentimento for esse, provavelmente você está em uma relação abusiva. Por isso, é importante parar para estudar, analisar e observar a culpa acontecendo.

Esperança

Sabe aquela sensação de que dessa vez vai ser diferente e aquela esperança de que tudo vai ficar melhor mesmo quando a realidade te dá sinais de que o oposto disso está acontecendo? Isso é uma consequência do relacionamento abusivo.

O que acontece aqui é que após a briga, explosão e violência vem a fase da lua de mel, um momento de promessas, reconciliações, onde você renova as esperanças e expõe suas questões mais íntimas e vulnerabilidades. Quando a lua de mel passa, o ciclo se retoma, o abusador pega todas as suas falas, refina o abuso e aprende a te manipular de forma mais sutil e imperceptível.

Isso não significa que a violência cessou, mas sim que o abuso está mais refinado e, por isso, ainda pior. Ou seja, a esperança é um efeito que te mantem nesse ciclo.

Achar que você também é abusiva

Já teve a sensação de que seu relacionamento é duplamente abusivo? Bom, antes de continuarmos esse tópico precisamos nos lembrar de que mais de 80% dos casos a violência ocorre por parte do homem, em relacionamentos heteronormativos. Então, sua sensação de praticar o abuso deve ser analisada à luz desses dados.

Isso quer dizer que pensar assim também é um dos efeitos psicológicos e acontece porque quem está vivendo o abuso fica fraca, isolada, sem autoestima, sem identidade e desgastada. A partir dessa fraqueza é comum que a reação aconteça por meio de um comportamento abusivo, seja para se proteger, contra-atacar ou como contra controle.

Devemos lembrar que o abuso deixa a saúde mental tão fragilizada que, às vezes, a reação é imitar o comportamento do abusador, tanto no relacionamento atual, quanto em relações futuras. Mas atenção: ações isoladas de abuso não te tornam uma abusadora.

Ausência de Medo

A mulher que está em um relacionamento abusivo muitas vezes não consegue perceber a gravidade do que está vivendo. Essa ausência de medo não pode ser levada em consideração para avaliar os riscos reais e deve ser um ponto de atenção não só para familiares e amigos próximos quanto para o judiciário e também advogadas envolvidas no caso.

O cérebro da mulher que está em situação de violência faz com que ela ignore a percepção do medo, assim, ela vai achar que o abuso não irá escalonar ou acontecer novamente, ou ainda, mesmo se a violência for recorrente ela continuará achando que não corre riscos maiores, como de ser morta. Essa perda de consciência, como já mencionamos anteriormente faz com que o abuso seja banalizado conforme a agressão aumenta: o que antes era absurdo hoje é aceitável.

Sabe as mulheres que você vê na imprensa vítimas de feminicídio? Então, o feminicídio é a última etapa de um relacionamento abusivo. E não, não existe ninguém que goste de apanhar ou que escolha ficar no abuso. Todas elas também acreditavam que o parceiro não seria capaz de uma violência maior.

Existem provas e estudos, na literatura e nas pesquisas que um abusador psicológico pode, sim, se tornar abusador físico ou sexual. Na ciência os tipos de abuso são inseparáveis e só dependem do tempo e da forma de enfrentamento para evoluírem.

Achar que não consegue fazer nada sozinha

Ter momentos de desespero, dúvidas se vai conseguir levar a vida sozinha, certezas de que não sabe fazer nada…. Todos esses sentimentos surgem juntamente com o abuso e dificultam que você saia dele.

Na maioria dos casos essa sensação de impotência é reforçada pelo próprio parceiro, que faz questão de ressaltar que você não tem amigos ou que sua família não se importa com sua vida. Tudo isso como estratégia para que você se isole ainda mais e corrobore com esse pensamento.

Nessa etapa, nós da Não Era Amor, temos um recado de amiga para você: é possível, sim. Você é capaz, sim. Não vai ser fácil, é um processo profundo de autoconhecimento, mas várias mulheres já conseguiram. Lembre-se da sua vida antes desse relacionamento, retome aos poucos sua liberdade e, passo a passo, vá construindo novamente sua independência.

Não tenha vergonha de pedir ajuda e recorrer aos cuidados de profissionais.

Pensar que isso só acontece com você

É comum achar que a sua situação só acontece com você ou ainda pensar que o seu caso é diferente, é melhor do que as histórias que já viu. Em algumas situações há também a impressão de que o seu parceiro não é tão abusador quanto o das outras mulheres.

Isso ocorre porque em um relacionamento abusivo você começa a ter culpa ou vergonha de contar para as amigas sobre os abusos e, por isso, vai se isolando e se distanciando da realidade.

Medo generalizado

Esse efeito está próximo da perda de consciência. O medo generalizado aparece quando saímos de um relacionamento abusivo e passamos a achar que qualquer um pode nos fazer mal ou que todos os homens são abusadores. 

Nesse ponto é importante separar abusadores de não abusadores, dissociação que deve ser realizada também pela nossa sociedade e pelo judiciário para não conceder os mesmos privilégios para os dois. Quando um abusador tem as mesmas prerrogativas de um homem em um relacionamento saudável, ele usa dessa vantagem para continuar a violência. 

Além disso, o medo em excesso é um dano herdado da relação abusiva que deve ser cuidado para que você não minimize sua capacidade de ler os sinais de violência e também não queira descontar o que viveu reagindo com todo mundo.

Como vou lidar com os efeitos psicológicos do abuso

Todos os 8 efeitos psicológicos do abuso listados aqui precisam ser tratados com terapia especializada. Não podemos achar que é possível lidar com um relacionamento abusivo da mesma forma que é tratada uma relação saudável. 

Quando uma psicóloga não possui esse treino para detectar os sinais de abuso ela corre o risco de comprar o discurso do abusador, usar estratégias erradas ou até mesmo não diagnosticar a violência, fazendo com que a vítima se esquive do tratamento.

Não desista de procurar ajuda! A terapia especializada vai ampliar sua consciência sobre o tema e também aumentar o seu autoconhecimento. Nesse processo você vai olhar para dentro e para o mundo de outra forma, aprendendo uma nova maneira de ser livre. Conte com a Não Era Amor nessa jornada.